Um estudo realizado em parceria pelo BNP Paribas e a Nova School of Business & Economics (Nova SBE) concluiu que 86,4% dos estudantes e 60% dos colaboradores de várias empresas portuguesas e internacionais “dão preferência ao modelo de trabalho híbrido” – que inclui dias presenciais e teletrabalho. A investigação, intitulada "Re-imagining Work", apresenta ainda dados relevantes para o futuro do mercado de trabalho.

Este estudo foi levado a cabo por estudantes do Mestrado em Gestão Internacional CEMS e contou com uma amostra de 177 estudantes portugueses e estrangeiros (27 nacionalidades), uma segunda de 167 pessoas já inseridas no mercado de trabalho, em Portugal e fora (25 nacionalidades), e uma terceira amostra de funcionários atuais do BNP Paribas em Portugal, sobre o futuro do trabalho. Os dados foram recolhidos através de questionários, entrevistas e focus groups realizados nos meses de março e abril deste ano.

No que diz respeito ao modelo de trabalho híbrido, tanto estudantes como funcionários das empresas portuguesas e internacionais não esperam deslocar-se ao escritório para desenvolver atividades que podem fazer a partir de casa. A maioria dos participantes afirmou que a tomada de decisões individuais e o desenvolvimento de relatórios são tarefas que não justificam uma ida ao escritório.

Além disto, quanto ao ambiente de trabalho, os estudantes declararam optar por um modelo de escritório partilhado, com três a cinco pessoas (45%), ou por um modelo open space.

Segundo Filipa Castanheira, professora responsável por supervisionar o estudo, “este projeto revela de forma muito consistente, e através de diferentes fontes de informação, que as expectativas face aos contextos de trabalho estão em clara transformação. Já vínhamos a observar, antes da pandemia, um desejo de um formato de trabalho mais flexível e promotor de maior equilíbrio vida-trabalho, mas agora no regresso após os sucessivos confinamentos e no seguimento da aceleração da transformação digital, os trabalhadores demonstraram que é possível fazer com qualidade e concentração determinadas tarefas a partir de casa.

«Há uma procura explícita por organizações que proporcionem relações de trabalho que permitam beneficiar desta flexibilidade e uma preferência por equipas com desenhos de trabalho presenciais mais “colaborativos”». Há notoriamente um desagrado pela sensação de «vir para o escritório fazer o que se poderia fazer em casa” e, por isso, o grande desafio das organizações no “futuro do trabalho” não parece tanto ser o “fun das piscinas de bolas e dos cestos de fruta”, mas sim a formação das lideranças e a organização dos espaços físicos de trabalho, proporcionando locais para descontrair e socializar, para debate e resolução de problemas, para reuniões de equipas, apostando na diferenciação do que é trabalho individual e que pode ser feito remotamente do que é trabalho colaborativo que pode beneficiar da presença física das equipas.», concluiu.

 

Valores são uma preocupação fulcral para os jovens

O estudo revelou ainda que os estudantes são fortemente influenciados pelos valores corporativos das empresas na altura de enviarem candidaturas ou decidirem entre ofertas de trabalho. A maioria admite, no entanto, ter pouco conhecimento sobre organizações, em Portugal, que divulguem os valores que defendem de forma clara, o que poderá constituir um motivo de afastamento de potenciais colaboradores internacionais.

Verificou-se também que, de entre os estudantes internacionais que participaram no estudo, apenas um em cada três está a considerar trabalhar em Portugal depois de terminar a sua licenciatura. No entanto, quando confrontados com um cenário que incluía a possibilidade de trabalhar em Portugal numa empresa cujos valores corporativos são semelhantes aos do BNP Paribas (ainda que o nome da empresa não fosse referido), essa percentagem sobe para dois em cada três.

Por último, a investigação concluiu que as redes sociais corporativas podem contribuir para o reconhecimento das organizações e dos seus valores. Da análise ao website e redes sociais de 37 empresas portuguesas ou internacionais presentes em Portugal, verificou-se que grande parte das organizações não comunica de forma ativa as suas políticas de trabalho flexível. Entre a minoria que o faz, apenas o mencionam no seu portal de emprego para informar potenciais candidatos que têm um modelo híbrido em funcionamento, sem que o mesmo seja explicado em detalhe.

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Publicado em 
15/9/2022
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