Numa altura em que a gestão de recursos humanos se tornou crítica para as empresas nacionais, um estudo levado a cabo pelo Cetelem-BNP Paribas Personal Finance, em parceria com a NielsenIQ, revela que além das questões salariais, o desenvolvimento de competências e os planos de carreira são consideradas algumas das iniciativas mais importantes para promover a retenção de talento.

O estudo “Desenvolvimento Humano, fator chave para o sucesso de Portugal – O contributo das empresas francesas” foi primeiramente apresentado na 8ª Conferência económica franco-portuguesa, em fevereiro, e divulgado recentemente. A investigação teve por base inquéritos realizados somente a empresas francesas em Portugal e a cidadãos em território nacional. No total, foram abrangidas 15 empresas com 250 trabalhadores ou mais, dez com 50 a 249 trabalhadores, quatro com 11 a 49 trabalhadores e quatro com menos de dez trabalhadores. Quanto aos indivíduos residentes em Portugal, foram ouvidas mil pessoas, com idades entre os 18 e os 74.

As conclusões revelam que, “quando se fala em Desenvolvimento Humano, a Educação, o Ensino e a Formação são palavras top of mind para os portugueses, com 39% a referir estes termos, quando questionados sobre as três primeiras palavras que lhes vêm ao pensamento sobre o tema. Evidencia-se, assim, o papel e a relevância da Educação como motor da sociedade. Em Portugal, esta tem vindo a ser uma aposta crescente nas últimas décadas”, refere o documento. “Saúde e Trabalho também são importantes, mas num segundo nível”.

No que toca às práticas para reter talento nas empresas francesas, as ferramentas mais importantes, de acordo com o inquérito realizado, são o feedback entre pares e superiores (85%) e o reconhecimento dos trabalhadores (82%). O desenvolvimento de competências técnicas (76%) vem em terceiro lugar e seguem-se as ações de convívio (73%), os planos e oportunidades de desenvolvimento de carreira (73%), e a promoção do equilíbrio entre a vida pessoal e profissional (69%).

“Além de competências digitais/informáticas agora consideradas básicas – e que, no passado recente, eram consideradas distintivas –, como o manuseamento de alguns programas, verifica-se uma aposta crescente nas soft skills, cada vez mais valorizadas como conjunto de competências universais que se traduzem em benefícios na performance, sejam quais forem as funções desempenhadas. As capacidades de comunicar (organização do discurso, capacidade de síntese, clareza, persuasão), de ouvir o outro (escuta ativa) e de organizar o tempo, são exemplos de áreas muito trabalhadas atualmente, que pedem meças a aprendizagens mais técnicas. Para hard ou soft skills, a formação é, indiscutivelmente, um «bem em ascensão» no mercado laboral: as empresas creem nela como meio de desenvolvimento pessoal e organizacional, mas também como instrumento privilegiado de retenção e atração de talento”, afirmou Cristina Barros, Managing Director do IIRH-Instituto de Informação em Recursos Humanos, citada na investigação.

Apesar da formação ser fulcral tanto para as empresas quanto para os colaboradores, quando questionados sobre a regularidade da formação de novas competências ou de requalificação na sua empresa, apenas 20% dos inquiridos dizem ter com regularidade e 49% ocasionalmente.

O trabalho flexível surge também como uma das questões mais importantes para reter talento numa empresa.

“Muitos são os atuais trabalhadores que, tendo experimentado uma maior conciliação vida-trabalho ou até desenvolvido novos hobbies e interesses, vêm agora reclamar a substituição de uma gestão “pelo toque”, centrada na proximidade física, por um redesenho das organizações e das suas políticas e lideranças mais centradas nas pessoas e com mais flexibilidade e empatia”, explicou Filipa Castanheira, Professora Associada em Recursos Humanos na Nova SBE e citada no estudo. “Foi essa a tendência que encontrámos também recentemente num estudo realizado em parceria entre a Nova SBE e o BNP Paribas no âmbito do Business Project dos alunos de mestrado do CEMS. Foram inquiridos estudantes universitários e trabalhadores de várias empresas portuguesas e internacionais e foi possível identificar uma preferência por modelos de trabalho híbridos, não sendo expectável a deslocação ao escritório para fazerem atividades que poderiam ser feitas a partir de casa”.

O estudo concluiu ainda que “as condições de trabalho são, hoje, um conceito cada vez mais valorizado por parte dos colaboradores, que olham para os benefícios de uma forma holística, com critérios que vão além do salário. O acesso ao refeitório na empresa (33%) e dias de férias extra além dos obrigatórios (31%) são os benefícios que se encontram no topo das preferências dos portugueses, seguindo-se os Planos/Seguros de saúde (20%)”.

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Publicado em 
29/8/2023
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