Liderança e Gestão da Mudança

Espelho meu, espelho meu... haverá alguém que pense melhor do que eu?

De todas as coisas maravilhosas que nos ensinam ao longo da nossa vida, por que motivo não nos ensinam também a pensar? Será que é porque se acredita que aprenderemos a pensar, de forma natural, como respirar? Ou por imitação dos outros, como apertar os botões de uma camisa? Mas como é que os outros pensam tão bem? Alguém, antes, os ensinou a pensar?

3
November 2021
5
 min de leitura

ão é estranho? E não fica ainda tudo mais estranho, quando o pensamento crítico tem sido mencionado, ao longo das últimas décadas, como uma das competências humanas mais importantes para o nosso futuro enquanto humanidade, por ser algo que nos diferencia das máquinas e nos dá vantagens competitivas sobre todos os engenhos não humanos?  

Quando sabemos que somos seres emocionais e que habitamos um mundo que foi programado para disparar mensagens dirigidas aos nossos corações, não é urgente parar para pensar como pensamos? 

E o que muda no nosso pensamento quando ficamos a saber que as notícias falsas se espalham 70% mais rápido do que as verdadeiras e alcançam muito mais pessoas, como concluíram, em 2018, os cientistas do Instituto de Tecnologia de Massachusetts (MIT)? E que cada publicação verdadeira atinge, em média, mil pessoas, enquanto que as publicações falsas mais populares atingem entre mil e cem mil pessoas? E o que será que existe de tão fascinante nas notícias falsas que não encontramos nas verdadeiras? 

Porque será que dedicamos tão pouco tempo das nossas vidas a desenvolver uma competência humana que nos ajuda a ser verdadeiramente livres, capazes de raciocinar e pensar pela nossa própria cabeça? 

Será que é porque queremos evitar o desconforto de pensar? E estamos apenas a confirmar o que as Universidades de Virgínia e Harvard concluíram, em 2014, de que os seres humanos sentem maior satisfação por fazer do que por pensar? Que preferimos dar-nos cargas elétricas do que ficarmos 15 minutos sozinhos connosco e com os nossos pensamentos? 

Ou será que é porque acreditamos que não é possível ensinar alguém a pensar? Será que não conseguimos ensinar ninguém a fazer melhores perguntas? A entender os nossos enviesamentos inconscientes que nos impedem de fazer as melhores escolhas? Será que não temos que pensar melhor em tudo aquilo em que acreditamos? 

Para além de passarmos a entender melhor o que está a acontecer à nossa volta, aquilo que lemos ou o que ouvimos, será que sabemos verdadeiramente o que ganhamos quando aprendemos a pensar? Saberemos que passarmos a aprender mais e melhor, porque fazemos mais perguntas e melhoramos as nossas estratégias de aprendizagem? Que descobrimos os nossos desequilíbrios humanos e os pedaços que nos faltam, porque ficamos a conhecer-nos melhor e a conhecer melhor os outros? Saberemos que passamos a fazer melhores julgamentos e a expressar opiniões mais sustentadas, porque questionamos as nossas crenças? Que conseguimos encontrar soluções mais criativas para os nossos problemas?  

E porque será que pensar de forma crítica nos transforma em seres mais criativos? Será que é porque nos ajuda a procurar a informação relevante e a estruturá-la melhor? Ou porque nos leva a raciocinar de forma lógica? Mas e a criatividade não é o contrário? Pensar de forma ilógica? Então de onde vem essa magia que liga o pensamento crítico à criatividade? 

Será que não pensaríamos todos melhor se parássemos para fazer as perguntas difíceis e não andássemos tão obcecados a correr atrás das respostas fáceis?  

Espelho meu, espelho meu... porque não descobri antes que o meu poder é bem maior do que o teu?

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Esta é uma republicação do artigo publicado pelo Rock In Rio Humanorama - Leia o artigo original aqui

Publicado em 
3/11/2021
 na área de 
Liderança e Gestão da Mudança

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Sobre o Autor
Paula Marques
Director for Business Transformation da Executive Education at NOVA
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