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Será que as campanhas de comunicação e sensibilização são úteis em matéria de sustentabilidade?

4 de Janeiro de 2019 por Luís Veiga Martins

Há 20 anos atrás, como consequência da definição de metas para a reciclagem pela Comissão Europeia, surgiram inúmeras campanhas de sensibilização para o tema em Portugal. Atualmente, foi possível comprovar o impacto positivo da comunicação na população, gerando mudança de hábitos.

Artigo de Luís Veiga Martins | Leitura de 4 minutos

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O primeiro fluxo de resíduos a ter metas definidas pela Comissão Europeia foi o das embalagens, tendo Portugal vindo a cumprir os objetivos em praticamente todos os materiais (com excepção do vidro). Estes resultados são consequência de vários fatores, mas, acima de tudo, devem-se à estabilidade das políticas públicas dentro do setor dos resíduos produzidos em nossa casa. A realidade é que a estratégia aprovada há 20 anos, no âmbito da gestão de resíduos, não sofreu grandes alterações ao longo das várias legislaturas e das diferentes cores políticas, nem mesmo durante o período da crise recente. Ao longo dos anos, foram feitos investimentos em infraestruturas de recolha e tratamento dos diferentes tipos de resíduos e as empresas, de uma forma generalizada, não abdicaram das suas responsabilidades enquanto produtores de resíduos.

Há 20 anos atrás, começaram a ser desenvolvidas inúmeras campanhas nacionais de comunicação e sensibilização.

As campanhas tinham como alvo a população em geral, sendo complementadas com iniciativas locais e municipais, junto das escolas. Estas permitiram chegar ao início da crise económica de 2011-16 com uma população consciencializada para a necessidade da reciclagem começar em casa de cada um, já que são produzidos diferentes fluxos de resíduos numa residência. Por outro lado, as empresas também desempenharam o seu papel, propagando mensagens que promoviam boas práticas, com o objetivo de alcançarem um novo posicionamento estratégico, face a um consumidor cada vez mais sensível a esta causa. Em alguns casos, podemos até questionar se não estaríamos perante um green washing. No entanto, estas campanhas acabaram por contribuir para uma população ainda mais informada e empenhada na causa ambiental.

 


Este vídeo apresenta o exemplo de uma campanha lançada em 2000 pela Sociedade Ponto Verde sobre reciclagem.

 

As crianças passaram a compreender o significado lato da palavra “poupança”.

No final da década passada, uma instituição bancária, a propósito do Dia Mundial da Poupança, promoveu um estudo que avaliava o sentido de poupança nas crianças portuguesas entre os 6 e 13 anos. Surpreendentemente, além da noção de que poupar é “não gastar muito”, constatou-se que as crianças compreendiam também ideias mais concretas e específicas relativas à necessidade ecológica de poupar: naquela altura cerca de 20% dos jovens associavam poupança a boas práticas ambientais como poupar água ou energia. Por outras palavras, passou a existir entre o público mais jovem uma consciência ecológica transposta para o quotidiano. Seria interessante uma nova auscultação, mas é possível afirmar que os resultados então obtidos resultaram certamente de uma maior sensibilidade para o tema e, acima de tudo, das diversas campanhas de comunicação e sensibilização desenvolvidas na época. Assim, foi possível confirmar o impacto e a importância das mesmas ontem, hoje e amanhã.

Estas iniciativas promoveram a mudança de hábitos e a criação de rotinas.

Por isso, as campanhas de sensibilização devem ser bem estruturadas e contínuas ao longo do tempo. Atualmente, estas campanhas são praticamente esporádicas e pontuais. Foram substituídas por notícias nos órgãos de comunicação social através dos meios tradicionais ou das redes sociais sobre objetivos de sustentabilidade das empresas ou decisões por parte da Comissão Europeia e/ou governos nacionais.

Se nos concentrarmos nos resíduos produzidos em casa, sabia que atualmente existem redes de recolha para praticamente tudo?

Desde óleos alimentares usados a rolhas, passando por cápsulas de café, embalagens, aparelhos elétricos e eletrónicos, lâmpadas, pilhas, pneus, óleos dos automóveis, medicamentos fora de validade e respetivas embalagens, papel de impressão e escrita. Sobram alguns resíduos, mas, em alguns casos, a médio prazo passarão a estar disponíveis redes de recolha também para resíduos orgânicos e embalagens que contenham resíduos perigosos. No entanto, esta informação não é amplamente comunicada.

A comunicação permite-nos angariar clientes e embaixadores, para os desafios que temos pela frente em matéria de sustentabilidade ambiental.

Quando comunicamos boas práticas a nível de sustentabilidade ambiental (energia, mobilidade, consumo de água ou lixo marinho), o impacto é transversal, como o estudo atrás referido confirma.

Por isso, as campanhas de comunicação e sensibilização à escala nacional deverão estar sempre presentes em qualquer estratégia de sustentabilidade ambiental.

Esta é uma necessidade mais premente do que nunca, tendo em conta a ambição crescente das metas e objetivos nacionais e europeus. Não sendo de forma alguma apologista de mais Estado, mas sim um crente no impacto que a comunicação e a sensibilização têm na mudança efetiva de comportamentos, existem duas hipóteses:

  1. quem tem a responsabilidade legal por gerir o resíduo gerado executa as campanhas;

  2. o Estado incorpora a responsabilidade de sensibilizar a população, financiando as campanhas através de quem (pelo menos) tem responsabilidades legais a cumprir.

Os resultados até agora obtidos e os desafios assim o determinam.

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Tópicos: Sustentabilidade, Artigos de Opinião

Luís Veiga Martins

Publicado por: Luís Veiga Martins

Licenciado em Economia pela Católica Lisbon e com MBA com Especialização em Marketing pela Católica Lisbon. É Chief Sustainability Officer da Nova SBE bem como Diretor Geral da CELPA – Associação da Indústria Papeleira desenvolvendo também a sua atividade profissional de consultoria externa na área da Sustentabilidade, Economia Circular e Gestão de Stakeholders, quer para entidades públicas como privadas em Portugal e no estrangeiro.