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Voice Digital Assistant: o produto revelação do CES 2019

25 de Janeiro de 2019 por Miguel Moreira

No início do mês de janeiro decorreu, como já é habitual, o grande evento CES 2019, em Las Vegas, que representa o início das hostilidades na batalha do maior impacto mediático junto do consumidor. O Consumer Eletronics Show é um palco global onde as empresas apresentam os seus mais recentes gadgets, e este ano o que mais me impressionou foi a evolução dos Voice Digital Assistants.

Artigo de Miguel Moreira | Leitura de 5 minutos

andres-urena-470135-unsplash-1unsplash-logoAndres Urena

O ano 2018 não foi maravilhoso para as tecnológicas, já que foi severamente marcado pelos escândalos de rotura de privacidade e pela queda acentuada de valor na bolsa (especialmente no 2º semestre após duas empresas, Apple e Mircrosoft, terem alcançado a barreira mítica do trilião de dólares em valor). Como tal, era necessário algum reset na área da tecnologia. Assim, começámos 2019 com as melhores previsões a apontar para a afirmação da tecnologia 5G de comunicação, para uma maior maturidade na análise do potencial das aplicações dessa enorme “salada de frutas” chamada Artificial Intelligence e pela maior moderação na perspetiva de adoção rápida de viaturas autónomas.

Depois de seguir diariamente as novidades e lançamentos, elejo como produto revelação do CES 2019 o assistente digital por voz. Apesar de não serem novidade para ninguém, escolho-o porque considero que conseguimos finalmente vislumbrar, com maior clareza, o potencial para aplicações práticas e comerciais desta tecnologia.

A realidade é que o consumidor tem oferecido bastante resistência aos assistentes digitais, não só por questões culturais (falar para um objeto faz-nos sentir estranhos à partida), mas também pela dificuldade dos assistentes em compreender idiomas diferentes do inglês e, principalmente, porque o nível de entendimento geral (incluindo o inglês) era, até há poucos anos, bastante deficiente. No entanto, estamos finalmente a ultrapassar esta barreira, graças ao aumento da capacidade de compreensão de um dos idiomas mais falados no mundo: o “mau inglês”.

Após garantido o entendimento entre assistente e utilizador, descobrimos um potencial quase mágico de nos facilitar a vida. Agora, podemos simplesmente utilizar a nossa voz para saber a meteorologia, como está o trânsito, ou até iniciar um temporizador que controla os minutos exatos para cozer um ovo. Falar é um mecanismo muito mais natural para o ser humano do que digitar algo num ecrã minúsculo e, garanto-vos, é uma sensação poderosa e até difícil de explicar.

Há cerca de 6 meses que utilizo o aparelho Echo da Amazon e o assistente Alexa. Apesar de ainda usufruir de poucas funcionalidades, utilizo este equipamento com muita frequência e testo-o repetidamente. Como é raro repetirmos exatamente a mesma frase e entoação para materializar um pedido, tento sempre fazer o mesmo pedido de forma diferente e concluo que a capacidade de compreensão  das várias nuances da linguagem que a Alexa possui é admirável.

Uma das evoluções mais importantes nesta tecnologia foi a criação do conceito Powered by (Alexa ou Google). Na sua génese, encontra-se a integração destes assistentes com os aparelhos de outros fabricantes. Neste contexto, assistimos nos últimos meses ao lançamento de diversos produtos de renome com a assinatura powered by, como a coluna Sonos One powered by Alexa ou o Smart Clock powered by Google da Lenovo.

No CES 2019, destacou-se sobretudo o conceito de Smart Home apresentado pela Google. A gigante tecnológica criou um parque de diversões dentro da conferência, desafiando os participantes a enfrentar situações do dia com a ajuda do seu assistente: ir às compras, conduzir com trânsito num dia de chuva, ou até comprar pão numa padaria francesa (revelando uma outra novidade que é a tradução simultânea).

 

 

Desta forma, foram apresentados dezenas de aparelhos e marcas que se enquadram numa casa conectada e powered by Google. Os exemplos que considerei mais surpreendentes são o chapéu de sol ShadeCraft, os pianos da Roland, os óculos da Focals ou os sanitários da Kohler. Os automóveis não foram exceção: a aplicação do assistente digital representa um potencial enorme de comodidade e segurança, que facilmente substituirá os diversos serviços de reconhecimento de voz que algumas marcas lançaram nos últimos anos.

Apesar do domínio da Alexa (41% share) e do Asssistant da Google (28%), não posso deixar de mencionar a famosa Siri da Apple, a Cortana da Microsoft ou Bixby da Samsung. Além dos assistentes mais conhecidos, surgiram também pequenos diferenciados como a Snips, desenhada para funcionar fora da World Wide Web, garantindo maior autonomia e privacidade.

E a privacidade é, claramente, o elefante na sala! Ter um aparelho com vários microfones de alta sensibilidade, escutando atentamente e conectado permanentemente em rede é assustador. Há um potencial de invasão de privacidade profundo, que parece até ultrapassar o de uma câmara. Já foram até divulgados casos em que o assistente enviou a gravação de uma conversa privada de um casal para uma pessoa externa, porque interpretou erradamente um pedido.

Neste contexto, assisti, durante o WebSummit de 2018, a um debate sobre privacidade. Fiquei surpreendido com o relato de um jornalista que partilhou a interação que a sua filha de 4 anos teve com a Alexa, desde que nasceu. Foram 4 anos de conversação entre os dois que ele podia recordar, conversa a conversa. O meu ceticismo levou-me a verificar na minha App da Alexa se as minhas conversas também lá estavam: e estavam (em texto e som)! No entanto, acredito que este desafio não é diferente dos que já enfrentámos em relação a privacidade e que a sociedade vai encontrar uma forma de regular também estas tecnologias.

Concluindo, acredito que os assistentes digitais por voz vão chegar ao mainstream até ao final deste ano e que serão descobertos por quem tem mais necessidade ou menos preconceitos: os idosos e as crianças. Estes não são mais do dispositivos que fundem conceitos e tecnologias que já conhecemos, como machine learning e sensorização. Com a evolução para a incorporação de outras tecnologias, como a realidade virtual, podemos projetar viver, dentro de poucos anos, numa realidade de ficção científica como a de “Blade Runner 2049”.

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Tópicos: Artigos de Opinião, Digital & Tecnology

Miguel Moreira

Publicado por: Miguel Moreira

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