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Sustentabilidade: uma nova oportunidade de negócio

24 de Maio de 2019 por Luís Jerónimo

Al Gore afirmou recentemente que a sustentabilidade é “a maior oportunidade de investimento da história” [1] e que “o investimento de impacto tem a dimensão da revolução industrial e a velocidade da revolução digital”. Mas como podem as empresas alterar os seus negócios para este novo paradigma sem comprometer o seu presente?

Artigo de Luís Jerónimo e Francisco Palmares | Leitura de 4 minutos

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Um dos grandes desafios em qualquer posição de liderança hoje em dia, seja qual for a dimensão da sua empresa, está relacionado com o objetivo de definir o melhor equilíbrio entre a performance e desempenho financeiro da sua organização versus a contribuição para o progresso da sociedade. A gestão deste equilíbrio é um desafio complexo e implica um exigente processo de mudança de paradigmas organizacionais, mas pode dar origem também a novas oportunidades de negócio, aliando retorno financeiro e impacto social ou ambiental.

Impacto – tendência ou exigência do mercado?

A transição para a sustentabilidade ou o impacto parece por vezes algo intangível ou aspiracional, mas é atualmente um caminho ditado pelas forças do mercado. Hoje, a preferência de mais de 65% dos consumidores é por produtos com standards sustentáveis [2]. Mais de dois terços dos millennials que hoje entram no mercado de trabalho pretendem trabalhar para empresas que criem impacto positivo na comunidade [3]. E este grupo de millennials, que irá receber uma transferência de cerca de $24tn até 2020 [4], tem uma enorme orientação para incluir fatores ambientais, sociais e de governance nas suas decisões de investimento [5].

Como pode uma empresa catalisar este potencial?

O caminho traçado pelas Nações Unidas através dos Objetivos de Desenvolvimento Sustentável pode ser utilizado como referência orientadora global e ponto de partida para o processo de transformação das organizações. No entanto, cabe a cada empresa definir e implementar o seu processo de transição para a sustentabilidade e maior impacto social, para além das suas estratégias de responsabilidade social corporativa. Com efeito, estas estratégias muitas vezes são encaradas como um custo e não como um investimento, capaz de gerar valor e oportunidades de crescimento para a empresa. Para melhor implementar os referidos processos de transição, importa melhor incorporar estes objetivos de sustentabilidade e impacto no core business das empresas. A cadeia de valor precisa de ser redesenhada no sentido de garantir um maior alinhamento entre lucro e impacto. Esta possibilidade de conciliar retorno financeiro e impacto social tem permitido desenvolver um novo conceito de investimento – investimento de impacto – que pode ajudar as empresas nesta transição.

O que é o investimento de impacto (investimento social)?

É a aplicação de capital em atividades, organizações ou fundos com o objetivo de obter simultaneamente um retorno financeiro e um retorno de valor para a sociedade, sendo que ambos são monitorizados e influenciam a tomada de decisão do investidor [6].

Esta é uma área em franco crescimento no mundo inteiro (o GIIN afirma que o mercado global de investimento de impacto ultrapassou em 2018 os 500 mil milhões em ativos [7]), com principal destaque para os países anglo-saxónicos (Reino Unido, Estados Unidos da América e Canadá), mas também tem tido em Portugal um crescimento importante.

Porquê Portugal?

No cenário global, Portugal posiciona-se como um país privilegiado para o investimento de impacto por ter os elementos necessários para um ecossistema vibrante:

  • conectividade ao mundo através de uma posição geoestratégica favorável;

  • incentivos para a atração de startups; 

  • abertura à inovação;

  • um mercado propenso à incubação de novos produtos;

  • disponibilidade de talento a um custo competitivo por comparação ao resto da Europa.

O papel da Fundação Calouste Gulbenkian

A promoção de uma agenda da inovação e investimento social tem sido uma das principais apostas da Fundação Calouste Gulbenkian no seu trabalho de intervenção social. Este trabalho baseia-se numa estratégia de atuação que alia:

Um momento decisivo deste percurso foi o da criação, em 2013, do Laboratório de Investimento Social, hoje MAZE – uma unidade especializada para promover a agenda do investimento de impacto. Deste então, várias tem sido as iniciativas realizadas no âmbito de apoio ao desenvolvimento de startups de impacto através de programas de aceleração, diálogo com o setor público para promoção de acesso a dados sobre potencial de impacto e, mais recentemente, a criação de um fundo de investimento de impacto. A verdade é que o caminho feito até agora tem permitido posicionar Portugal na vanguarda da agenda do investimento de impacto, tanto a nível das políticas públicas, como na utilização de novos instrumentos financeiros.

Todas estas iniciativas prepararam o terreno para que projetos inovadores tenham condições para florescer. Projetos que podem ajudar as empresas neste processo de mudança de paradigma para uma estratégia mais sustentável entre lucro e impacto.

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É exatamente para apoiar as empresas nesta transição que a Fundação Calouste Gulbenkian se associou à Nova School of Business & Economics com a criação do programa Paradigm Shift, no âmbito da Gulbenkian Chair on Impact Economy.

Paradigm Shift é um programa de formação de executivos cuja primeira edição acontecerá nos dias 17, 18 e 19 de junho. Para esta edição estão previstas cerca de vinte vagas, dirigidas a perfis de C-Level (Chairman, CEO, CFO, COO, CMO, Dir. Recursos Humanos, Dir. Sustentabilidade, etc.). A Fundação Calouste Gulbenkian disponibilizará sete bolsas de estudo, destinadas a organizações com elevado potencial de transformação, sendo especificamente dirigidas a elementos de empresas sociais e/ou ambientais, microempresas, startups e PMEs

Referências:

[1] “Al Gore: sustainability is history’s biggest investment opportunity” (link aqui)

[2] The Sustainability Imperative, Nielsen (link aqui)

[3] Purpose at Work, LinkedIn (link aqui)

[4] Millennials – the global guardians of capital, UBS (link aqui)

[5] Sustainable Signals, Morgan Stanley (link aqui)

[6] Glossário para a Economia Convergente, LIS (link aqui)

[7] Sizing the Impact Investing Market, GIIN (link aqui)

Tópicos: Artigos de Opinião, Sustentabilidade

Luís Jerónimo

Publicado por: Luís Jerónimo

Director of the Social Cohesion Programme @ Calouste Gulbenkian Foundation

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