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Planeamento: a nova competência estratégica

26 de Outubro de 2020 por Ana Varela

Quando comecei a trabalhar na área financeira, nos anos 90, as empresas mais avançadas do ponto de vista da gestão tinham ciclos de planeamento financeiro de um ano ou seis meses.

Artigo de Ana Varela | Leitura de 3 minutos

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Os objetivos e metas eram definidos com essa periodicidade e raramente eram revistos dentro desse intervalo de tempo. Apesar da elevada exigência desta tarefa, existia tempo para reunir os dados do negócio e para os transformar em informação de gestão relevante que, depois, era partilhada com os decisores da empresa.

Essa realidade deixou de existir. Hoje, o planeamento estratégico-financeiro em si mesmo tornou-se uma especialidade, uma competência imprescindível nas empresas com múltiplas áreas de negócio ou até múltiplos modelos de negócio.

Por vivermos tempos de incerteza e de turbulência, deixou de ser viável planear e gerir com ciclos longos e fixos. Para lidar com esta instabilidade na gestão da empresa, defendo que devemos seguir as seguintes linhas orientadoras nas iniciativas de planeamento e orçamento (budget):

  • Torne o seu modelo de previsão (forecast) mais robusto. Não se baseie apenas no que aconteceu no ciclo anterior, mas também e principalmente no desenvolvimento de cenários. Identifique com a sua equipa o cenário mais provável e planeie em função dessa previsão. Poderá também identificar o que terá um impacto mais negativo e preparar um plano de contingência no caso de vir a tornar-se uma realidade. Desta forma, a empresa estará mais preparada para se adaptar em tempo útil, ganhando, assim, uma vantagem competitiva. Por exemplo, a Gartner sugeriu, recentemente, duas variáveis para o desenvolvimento de cenários: duração da crise pandémica (longa ou curta) e alteração do comportamento do cliente/consumidor na pandemia (significativo/não significativo);
  • Aumente o esforço de alinhamento estratégico dentro de toda a organização. Frequentemente, esta iniciativa implica a adoção de uma metodologia como o Balanced Scorecard, que permite aumentar nos colaboradores a consciência do seu contributo para um objetivo comum e alinhar e valorizar os objetivos operacionais e estratégicos. Esta abordagem deve ser complementada com uma ferramenta de Business Intelligence (BI) que facilite o acompanhamento da execução estratégica através da monitorização em tempo real dos principais indicadores de desempenho (KPI);
  • Crie um sistema ágil e interativo. Apoie os seus processos (incluindo os anteriormente descritos) de planeamento e controlo com sistemas e procedimentos fáceis de mudar. Vai precisar desta flexibilidade quando as condições de mercado e as variáveis dos cenários mudarem. Não se esqueça, vivemos tempos de turbulência. Aproveite o momento para digitalizar. A Covid-19 tornou óbvias, e por vezes inevitáveis, as vantagens de digitalizar a sua organização. Nunca foi tão fácil, por isso, adotar este novo procedimento que torna muito mais fácil guardar e partilhar a informação. Otimize o sistema de colaboração remota indispensável para o planeamento da empresa e para a implementação de um sistema ágil;
  • Dê atenção à liderança. Podemos ter os melhores sistemas informáticos e métodos, mas sem uma liderança efetiva não haverá resultados. Invista no desenvolvimento desta competência dentro da empresa, apostando numa comunicação eficaz daquilo que são os objetivos e as estratégias para os atingir. Se todos estiverem preparados para aceitar a incerteza em que vivemos e trabalhamos tudo correrá, certamente, melhor.

Negar que o mundo mudou e ficar à espera que a realidade do século passado regresse é desperdiçar o tempo necessário para adaptar os negócios ao novo contexto. Não perca tempo, atue agora.

Artigo originalmente publicado pela PME Magazine

Planeamento Estratégico

Tópicos: Gestão & Estratégia, Artigos de Opinião

Ana Varela

Publicado por: Ana Varela

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