Nova SBE

O humor dos líderes

2 de Abril de 2019 por Pedro Neves

O humor é um tema que sempre me fascinou, entre outras coisas, pela forma como pode ser utilizado para desenvolver espírito de equipa e motivar para a ação ou para desmontar argumentos falaciosos.

Artigo de Pedro Neves | Leitura de 2 minutos

Blog - O humor dos líderesunsplash-logoHybrid

Por isso, fiquei entusiasmado quando descobri, já há muitos anos, os cartoons do Dilbert e a forma como abordam alguns dos temas e questões mais relevantes da gestão e das relações no contexto de trabalho. Posso, aliás, dizer que o Dilbert é uma presença mais assídua nas minhas aulas do que alguns alunos. E seguramente que não sou o único fã, pois este cartoon é publicado em mais de 2000 jornais de cerca de 50 países e em 19 línguas diferentes.

No entanto, o que me chama mais à atenção é o facto de o humor continuar ainda a ser, de uma maneira geral, mal visto no trabalho. Como Christopher Robert, professor na Universidade de Missouri e especialista no tema, argumenta: o humor é muitas vezes visto como sendo inconsistente com a natureza séria e responsável do trabalho. Mas já dizia Winston Churchill, "talvez seja melhor ser irresponsável e acertar do que ser responsável e errar". Assim sendo, mais vale tirar partido deste potencial instrumento de gestão e aproveitar para criar um ambiente de trabalho positivo em que as pessoas trabalham com um sorriso nos lábios.

Um estudo recente que tive a oportunidade de coordenar mostrava que quando os líderes fazem uso de um estilo de humor positivo (fazendo graças no dia-a-dia ou usando humor para lidar com situações de stress), a sua relação com as respetivas equipas melhora substancialmente e, dessa forma, também o desempenho dessas mesmas equipas de trabalho. Mas o elemento mais interessante deste estudo é que este resultado era ainda mais saliente para os colaboradores com uma auto-imagem negativa e que normalmente transportam essa lente negativa para todos os domínios da sua vida, incluindo o trabalho. Estes são precisamente aqueles com quem os líderes sentem (regra geral) mais dificuldade em se aproximar e relacionar – e o uso de humor positivo parece ser uma forma eficaz de ultrapassar essa barreira.

É igualmente importante salientar que o humor, quando mal utilizado (fazendo troça dos outros ou ridicularizando-se a si próprio para ter a aprovação de terceiros), é nefasto e tem precisamente efeitos opostos aos que acabei de descrever. A discussão não deve portanto estar centrada nas consequências do uso ou não de humor, mas sim nas consequências do seu bom ou mau uso. E há cada vez mais estudos que mostram que a capacidade de rir e fazer rir - no contexto de trabalho – reduz o stress e burnout, estimula a criatividade e a inovação e aumenta o empenho com a organização. Mas isso fica para outra altura. Agora é tempo de voltar ao trabalho pois, como afirmam os criadores dos produtos demotivator®, não está a ser pago para acreditar no poder dos seus sonhos…

New call-to-action

Artigo publicado originalmente na revista Forbes Portugal

Tópicos: Artigos de Opinião, Liderança & Gestão de Pessoas

Pedro Neves

Publicado por: Pedro Neves

Associate Professor @ Nova SBE

Subscreva o nosso Blog

 

Nova SBE

Quer escrever
para o Blog?

Saber mais