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Dez ideias para um recomeço bem-sucedido depois do “ecrã azul” que se abateu sobre as nossas organizações

14 de Outubro de 2020 por Patrícia Fernandes

Depois de anos de assinalável progresso, quando menos se esperava, o mundo sofreu um apagão, um “ecrã azul” e entrou em colapso perante a primeira pandemia global dos tempos modernos: COVID-19.

Artigo de Patrícia Fernandes | Leitura de 11 minutos

10-ideas-blog Rock Staar

Como acontece com qualquer ecrã azul num PC, o passo a seguir é reiniciar. Mas como fazer essa reinicialização? Qual é o caminho certo a seguir: devemos remover todos os ficheiros e começar do zero, ou devemos manter alguns e prosseguir com o processo? A resposta depende de como encaramos o futuro à nossa frente e do quanto queremos e precisamos mudar no curso de ação das nossas organizações e das nossas equipas.

Não acredito em recomeços puros, aqueles que apagam tudo o que está para trás. As nossas ações, decisões e escolhas são continuamente influenciadas pelo conjunto de experiências e aprendizagens que vamos acumulando ao longo das nossas vidas. Quanto mais profundas e ricas forem essas experiências, melhores e mais completos profissionais e líderes nos tornamos. Por tudo isto, gostaria de partilhar as dez ideias que reuni enquanto líder para a minha equipa, na esperança de que esta mesma partilha possa orientar e inspirar neste recomeço que todos vamos ter de fazer ao longo dos próximos meses, até que os tempos tão desafiantes que vivemos passem a fazer parte do passado. Isto é crucial, porque o mundo mudou dramaticamente e para pior, na maioria dos sentidos. Com o choque e o salto civilizacional a que o confinamento nos obrigou, nada será jamais tão rígido e formatado, como estávamos habituados no "bom e velho normal".

fulfill-your-destiny1. Propósito

Nunca como agora foi tão importante encontrar o propósito da nossa organização e de tudo o que fazemos. E para descobrir ou revisitar esse propósito, o melhor é "Começar pelo Porquê", como Simon Sinek escreveu. O que fazemos e como fazemos não é o mais importante - isso não nos diferencia dos nossos concorrentes. O verdadeiro desafio e o que nos torna únicos, assim como à nossa proposta de valor, é a razão porque o fazemos. O “Porquê” é o que nos pode inspirar e impulsionar a agir e a ter sucesso em tudo o que fazemos.

2. Resiliência

Após as ondas de choque causadas pela pandemia e o seu doloroso impacto na saúde e nos padrões de vida das pessoas, é fundamental percebermos que não são os mais fortes que sobrevivem, mas os mais resilientes. Em última análise, a resiliência prepara-nos para superar os desafios futuros, ajuda-nos a adaptar a circunstâncias adversas, gerir o stress e manter-nos motivados. É a resiliência que nos permite definir o ritmo para a reconstrução das nossas vidas, das nossas equipas e das nossas organizações, após este terremoto.

savana-animals3. Pensar antes de Agir

Nunca como antes foi tão necessário pensar profundamente antes de agir. A constante volatilidade, mudança, incerteza e ambiguidade da nova ordem, que é menos ordem e mais caos, impõe reflexão. É esta a estratégia certa? Estamos a ir na direção certa? Temos tudo o que é preciso para vencer num mercado em constante mudança? Os nossos clientes ficarão satisfeitos com a nossa ação / oferta? Os tempos atuais são difíceis, por isso as ações insensatas e impróprias serão sem dúvida punidas, pois podem ser vítimas de um tempo inadequado investido em ouvir, analisar e refletir sobre o que é melhor para os outros, para quem servimos.

4. Empatia

A reflexão requer empatia com clientes, parceiros, colaboradores e todas as partes interessadas de qualquer organização. Empatia requer humildade para nos libertarmos dos nossos preconceitos, das nossas ideias pré-concebidas, dos nossos pensamentos e crenças limitadoras sobre o que os outros querem; requer ouvir ativamente, estudar as tendências, mudar profundamente os comportamentos e introduzir as abordagens e propostas de valor certas.

jump5. Coragem

As decisões exigem coragem. Agir é um ato de coragem porque envolve sempre risco. Temos a cultura certa? Estamos a fazer o suficiente para agradar aos que estão à nossa volta? Temos os recursos certos para realizar o que planeamos e desejamos? Temos a estratégia certa para cumprir nosso propósito? O que estamos a fazer está em linha com esse propósito? Estamos a cumprir a nossa promessa? Estamos prontos para introduzir uma mudança quando necessário, para corrigir o que não estamos a fazer bem?

Estas são perguntas poderosas que, respondidas corretamente, devem tirar-nos da nossa zona de conforto pois, tal como alguém um dia disse, “uma zona de conforto é um lugar muito bonito, mas ali nada cresce”. Isso também significa que devemos aceitar o fracasso e permitir que as nossas pessoas falhem, porque nenhum progresso é feito de forma perfeita. E é preciso coragem para fazer isso.

6. Mentalidade de Crescimento

Esta ideia do “Growth Mindset” retirei do Carol Dwell há alguns anos atrás, e é uma das minhas estratégias preferidas. Para ter sucesso, todas as ideias anteriores precisam de ser processadas usando um tipo de mentalidade que vê oportunidades e evolução, onde outros vêem obstáculos e desvantagens. Os erros são permitidos, porque são uma fonte preciosa de aprendizagem. “Pensar diferente, pensar à frente” é o lema dessa mentalidade, que também abre caminho para a inovação. Pessoas que treinam os seus cérebros para trabalhar no modo de código mental construtivo fazem o que Seth Godin diz: "se isso te assusta, talvez seja algo bom para tentares fazer".

tech-computer7. Inovação

Alavancados pelo “Growth Mindset”, não há outra maneira de fazer as coisas senão inovando. A inovação é a fonte perfeita para a mudança. Ela permite que as pessoas e organizações deixem de bitolar pela mediana e fujam do padrão na forma de pensar e agir. A inovação permite que as organizações dêem saltos quânticos e fiquem à frente dos seus concorrentes para conquistar a preferência e lealdade dos seus clientes e utilizadores. Isto significa que, como afirma George Bernard Shaw: "Tu vês coisas e perguntas ‘porquê?'. Mas eu sonho coisas que nunca existiram e pergunto 'porque não'?".

8. Comunicação

Qualquer ideia só é uma boa ideia se os outros a perceberem quão bom significante ela é. Isso implica comunicar corretamente as ideias, estratégias, táticas e objetivos que é necessário que sejam compreendidos, adquiridos e implementados com sucesso. Muitos dos desajustes e conflitos organizacionais de hoje surgem porque há fronteiras difusas de responsabilidade entre diferentes áreas. Ainda assim, as barreiras de colaboração mais severas vêm do mau uso da comunicação.

inspiration9. Inspiração

Este é outros dos meus temas preferidos enquanto líder. Em tempos difíceis como o que estamos a passar, quando as organizações se estão a reestruturar, a rever dimensão, a “perder peso” ou a passar por qualquer outro plano de ajuste, a inspiração é o que permanece; é o nosso pólo norte. É o alimento para o pensamento e a ação, é o que faz as pessoas continuarem e é a melhor e mais fiável fonte de motivação quando tudo o resto falha. Por meio da inspiração e de líderes inspiradores, podemos fazer milagres com as nossas pessoas, mesmo com os menos motivados.

10. Felicidade

Nunca devemos parar de tentar ser feliz, especialmente em tempos difíceis. Acredito na importância da felicidade no trabalho. Como líder, não posso garantir que as minhas pessoas sejam felizes em todas as dimensões da sua vida, principalmente nas mais pessoais e privadas. Mas a minha missão é garantir que abro caminho para a felicidade no trabalho, criando uma cultura ética de respeito, reconhecimento, de brainstorming constante, com uma política de portas abertas, gestão emocionalmente inteligente e ações voltadas para a inovação. Se conseguir isso, as minhas pessoas ficarão inspiradas e motivadas, o que fará com que a retribuição que dão à empresa seja muito maior do que aquilo que receberam. E isso ajuda a criar um círculo virtuoso. Quando as pessoas trabalham em empregos que gostam e para pessoas que admiram, vêem mais oportunidades; veêm um maior alinhamento com aquilo a que dão mais importância. Esta é a melhor fonte de motivação que posso imaginar, o que acaba por levar ao sucesso.

Não estou segura de que uma reinicialização com base nestas ideias seja um passaporte carimbado para o sucesso. No entanto, vou experimentá-las para mim. Vamos ver nos próximos dois anos quais são os resultados.

Deixo, de qualquer forma, o desafio, de olharmos para estas dez ideias sob um novo prisma. Todas elas são ideias já faladas e debatidas muito antes da pandemia mas, com este novo contexto que vivemos, ganharam novos contornos e significados. Nunca o foco no ser humano, único e individual, foi tão preponderante para o sucesso das nossas organizações. Pensar desta forma sobre cada uma destas dez ideias é plantar com a certeza de que a semente gerará fruto.

 

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Tópicos: Artigos de Opinião, Liderança & Pessoas

Patrícia Fernandes

Publicado por: Patrícia Fernandes

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