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A Adaptação da Vida Organizacional fora do “Edifício”

3 de Abril de 2020 por Alexandra Barosa Pereira

E de repente, as pessoas, as equipas e as organizações tiveram de se adaptar! Todos sabemos quanto custa a adaptação. Em momentos diferentes da nossa vida a adaptação esteve presente. As organizações criam, há muito, planos de contingência para fazer face a necessidades de adaptação repentinas. Muitos de nós temos planos A e planos B, para uma adaptação a situações de gestão de carreira, a gestão de vida familiar, até mesmo a planos para jantar.

Artigo de Alexandra Barosa Pereira | Leitura de 3 minutos
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Ben Sweet

Alguém tinha um plano para, de um dia para o outro, mover toda a sua vida, profissional, familiar, social, para um espaço confinado? Estarão as empresas preparadas para manter toda a vida organizacional ativa fora do “edifício” onde a partilha, a socialização, e a interdependência fluem de forma natural?

Encontramo-nos num momento em que a “adaptação improvisada” (Abrantes, Passos, Cunha e Costa, 2018) vai fazer a diferença.  Para bem da nossa economia, será necessário que indivíduos, equipas e organizações consigam adaptar-se rapidamente à emergência presente de forma improvisada, ou seja, planeando e executando simultaneamente, e mantendo toda a vida organizacional ativa mesmo que fora do seu contexto “normal” de trabalho.

Segundo os autores referidos, o processo de adaptação improvisada requer segurança psicológica, em que o erro seja aceite e incorporado, de forma a que a aprendizagem resulte em eficácia individual e coletiva.

Ora, é muito mais fácil “permitir” o erro e desenvolver segurança psicológica quando estamos próximos, quando podemos controlar as eventuais consequências que daí possam surgir, quando estamos todos no mesmo “edifício”.

Então, como podem os líderes das organizações, conviver com todas as vulnerabilidades emergentes neste processo de distanciamento social? Como podem os líderes apoiar as equipas a encontrar as suas soluções, a aprenderem com aquilo que corre menos bem, e a assumirem maior nível de responsabilidade e compromisso mesmo trabalhando à distância?

O coaching nunca fez tanto sentido como no momento que vivemos. Não podemos anunciar mais o coaching como uma moda, porque, no presente momento, este processo de desenvolvimento individual e coletivo, torna-se uma necessidade:

  1. Para os líderes que utilizarem este processo ao trabalhar as suas vulnerabilidades, conseguindo fazer emergir competências de inteligência emocional tão importantes no equilíbrio individual e social – coaching individual;

  2. Para as equipas que ao utilizarem competências de coaching, não vão precisar de controlo ou diretivas, mas sim de saber viver em parceria, entender as suas interdependências, e fazer emergir ações e não reações impensadas e não alinhadas – coaching de equipa;

  3. Para as organizações que terão de manter a cultura organizacional fora do local habitual, apoiando os seus colaboradores a criar sentido do seu propósito alinhado com o propósito e visão de negócio, mantendo redes de suporte e envolvendo-se diretamente no fazer acontecer – coaching de grupo.

Quando a vida organizacional sai do “edifício” e passa para o virtual, quando temos de nos adaptar a novas formas de trabalho, onde não existe separação física entre a vida familiar e a vida profissional, quando a improvisação deve ser alinhada e interdependente, as competências de coaching ajudam a encontrar um equilíbrio rápido.

Soluções virtuais de coaching individual, de equipa ou de grupo, ou mesmo formação virtual em competências de coaching, têm eficácia comprovada. Mas, se ainda não chegou o momento de recorrer a apoio externo para utilizar o coaching como o processo na adaptação improvisada, deixo-lhe aqui algumas dessas competências que pode começar a utilizar imediatamente:

  • Foco na Equipa – abra mão da sua necessidade de controlo e trabalhe com a agenda e as necessidades específicas da equipa, promovendo aprendizagem coletiva (vs. individual);

  • Confiança Mútua e Respeito – desenvolva segurança psicológica, permitindo o erro para que se volte a experimentar, mas faça-o em parceria de forma a dar empowerment à equipa;

  • Coordenação – neste momento o seu papel será de orquestração da equipa, e a coordenação passa pela existência de momentos de feedback dentro da equipa;

  • Desenvolva comportamento de backup e de suporte - onde existam redes de suporte vivas e sempre acessíveis dentro das equipas;

  • Motive, não se esquecendo de desafiar a equipa em conjunto a encontrar proactivamente soluções diferentes;

  • Modelos mentais partilhados – será de extrema importância que exista ainda mais partilha de informação e que toda a equipa esteja alinhada com objetivos comuns;

  • Autoconsciência e consciência social – tire tempo para refletir e ganhar mais consciência das suas vulnerabilidades para que se transformem em forças com as quais todos estamos a contar!
    we all have a role to play


Referência:

Abrantes, A.C.M., Passos, A.M., Cunha, M.P. and Costa, P.L. (2018), Adaptação improvisada em equipa: um modelo de adaptação em tempo real, RIGS – Revista Interdisciplinar de Gestão Social, v.7, n.3, 29- 57.

 

Tópicos: Artigos de Opinião, Liderança & Pessoas

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