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Há espaço para eventos na era digital? Sim, mais espaço do que nunca

23 de Outubro de 2018 por Carlota Ribeiro Ferreira

Numa era em que temos o poder de aceder a conhecimento, instituições ou pessoas de qualquer parte do mundo e em qualquer fuso horário à distância de segundos, o espaço para eventos ao vivo está cada vez maior. Há uma necessidade crescente de estarmos juntos, ouvir, pensar, debater e crescer em conjunto. Nesta era, também o digital pode funcionar como um catalisador de relações humanas que potenciam ainda mais a experiência do evento, dando-lhe consequência e continuidade no tempo.

Artigo de Carlota Ribeiro Ferreira | Leitura de 4 minutos

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“Apesar do digital estar no centro do nosso mundo, o live está mais popular do que nunca (…) a necessidade de estar presente, de estabelecer uma ligação com seres humanos e ouvir pessoas ao vivo parece ser o paradoxo desta era”.

As palavras de Ariana Huffington não podiam ser mais certeiras, todos as sentimos. Hoje em dia, os eventos reúnem pessoas em experiências de aprendizagem, entretenimento e socialização de todos os tipos. Dos festivais de verão, semanas da moda e concursos de talento às conferências e eventos corporativos, há sempre uma ambição ou interesse comum que nos atrai, um programa que nos envolve e uma dinâmica especial que nos faz interagir com os restantes participantes, oradores, formadores e até mesmo artistas.

Os eventos são experiências humanas e, por isso, têm uma capacidade de inspirar e criar laços que não existe em qualquer outro tipo de media.

O que é que os eventos oferecem de novo?

A importância das conferências e dos eventos corporativos, por exemplo, está a crescer bastante. Há partilha de conhecimento, debates, interações formais e informais, consciencialização, confrontação, desafios, ambições, alinhamento, dinâmicas, networking, entre inúmeros elementos que geram oportunidades de crescimento individual e coletivo. Quando são públicos, estes eventos oferecem ainda visibilidade às marcas que os promovem ou patrocinam. Quando são apenas internos, há um reforço da marca corporativa, dos seus valores e ambições, perante os colaboradores da empresa.

Os eventos criam histórias, dão-lhes vida e as pessoas vivem e desempenham papéis nessas histórias que os eventos formam. Quem vai a eventos, não vai apenas para ouvir os oradores ou artistas no palco, mas também para aprender, interagir e divertir-se numa comunidade que partilha os seus interesses, gostos ou ideias. Por outras palavras, podemos dizer que os oradores, artistas, formadores e participantes cocriam e partilham uma experiência real que é única porque é deles, não pode ser repetida. São estas características das experiências ao vivo que encontramos nos eventos e que não são comparáveis a qualquer experiência digital em termos de intensidade e emoção.

Mas, porque é que há cada vez mais espaço para eventos na era digital?

1. O ser humano precisa de encontrar um equilíbrio entre o seu eu-digital e as suas necessidades humanas

O digital entrou na nossa vida e a tecnologia evoluiu exponencialmente, oferecendo-nos poderosos instrumentos de interação, trabalho e entretenimento que usamos a toda hora e que cabem na palma da nossa mão. Hoje, por motivos pessoais ou profissionais, estamos sempre ligados ao mundo. Esta capacidade é poderosíssima, mas também algo frenética e individualista. Hoje em dia, temos acesso a muito conteúdo, muitas pessoas e muitas instituições em qualquer parte do mundo, o que é incrivelmente positivo. No entanto, falta-nos o contacto humano e a integração nos sistemas sociais que têm um significado profundo para nós enquanto seres humanos porque nos permitem viver e crescer melhor. Para contrabalançar o nosso eu-digital, estamos a ganhar uma nova consciência das nossas necessidades humanas, o que nos leva a procurar estar presentes em mais eventos na nossa vida.

2. A indústria dos eventos está a evoluir positivamente para criar experiências cada vez mais completas

É preciso enfatizar também a evolução da indústria dos eventos que melhorou significativamente em todas as dimensões – conceito, conteúdos, produção e dinâmicas de envolvência. Os eventos estão a tornar-se cada vez mais atrativos, melhor direcionados para os seus públicos e melhor executados. Por isso, as pessoas gostam cada vez mais de participar em bons eventos nas suas áreas de interesse. E têm essa disponibilidade e essa vontade. A oferta é cada vez maior, a indústria cada vez mais competitiva e, consequentemente, há cada vez mais espaço para os bons eventos.

3. As plataformas digitais encorajam a interação humana durante os eventos

Um ponto interessante para concluir é o papel que a tecnologia tem na evolução dos eventos como catalisador do humanismo que caracteriza as experiências ao vivo contemporâneas. A realidade é que, durante os eventos, as pessoas procuram o contacto cara a cara, mas as plataformas digitais permitem ampliar a capacidade de contacto, oferecendo novas formas de interagir, cocriar, entregar e viver experiências. Com o apoio da tecnologia, os participantes podem ir-se conhecendo melhor, marcar encontros, colocar questões, responder a questionários, participar em sondagens, fundar comunidades dentro das comunidades, enviar comentários e sugestões à organização e, claro manter contacto depois do evento ter terminado. No fundo, todas estas dinâmicas digitais que surgiram nos eventos geram relações humanas que são enriquecedoras e impactantes, o que não seria possível sem o digital nos eventos. O digital pode amplificar o significado e estender no tempo e nos espaços as relações humanas, o que é extremamente positivo.

Reforço do paradoxo

Neste contexto, é interessante ver o paradoxo inicial, introduzido por Ariana Huffington, reforçado. Por outras palavras, o digital e os eventos vão andar de mãos dadas durante muito tempo nas nossas vidas. E todos podemos crescer mais e melhor.

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Tópicos: Artigos de Opinião, Marketing & Vendas, Digital & IT

Carlota Ribeiro Ferreira

Publicado por: Carlota Ribeiro Ferreira

Fundadora da WIN World - uma empresa que tem a missão de inspirar líderes e organizações para o futuro, criando e produzindo conteúdos, eventos e projetos de media de impacto. Antes da WIN World, trabalhou 12 anos na indústria de media, é licenciada em Gestão e Administração de Empresas pelo ISG, tem uma Pós-Graduação em Special Studies on General Management pela Universidade de Harvard e um Advanced Management Program com Jack Welch.