Expanda os
seus horizontes.

Desafie-se ou desafie a sua empresa.

exed.novasbe.pt

De “morto-vivo” a líder

28 de Agosto de 2018 por Constança Casquinho

“Eu refugiava-me nos números e nas tarefas. Fugia das pessoas. Com os números sentia-me mais seguro… focava-me em potenciar os meus skills analíticos… e olhe o que aconteceu: descobri que até consigo e gosto de trabalhar em equipa.”

Artigo de Constança Casquinho | Leitura de 3 minutos

Blog - De “morto vivo” a líderunsplash-logoMilan Popovic

Teo (nome e detalhes de personagem alterados), 40 anos, europeu, gestor de êxito, partilha:

“Sabe professora, o Mindfulness abriu-me uma nova perspetiva: deixei de ter medo das minhas emoções e creio que isso me permitiu abraçar com curiosidade cada momento em que estou com pessoas. Sinto-me agora capaz de ter verdadeiro êxito numa posição de liderança de equipa.

Thich Nhat Hanh, monge vietnamita e considerado por muitos o “pai” do Mindfulness no Ocidente, refere na sua obra "O Milagre do Mindfulness"

O trabalho é apenas uma parte da vida. Mas o trabalho é vida apenas quando feito em Mindfulness. Caso contrário, uma pessoa transforma-se num morto-vivo.

Encaramos os cursos de gestão como processos de transformação pessoal, aventuras de auto-descoberta, no caminho para a liderança de êxito. Mindfulness (palavra sob pena de estar a “cair em moda”) surge como uma ferramenta essencial para o auto-conhecimento, para o processo que começa com a auto-liderança e avança para uma sólida liderança de equipas. Talvez... nas palavras de Thich Nhat Hanh… o Mindfulness surja para “ressuscitar mortos-vivos”, para criar Líderes verdadeiramente Vivos.

Para gestores e professores cujo “negócio é números”, o Mindfulness é recebido como “uma treta esotérica”. Recordo a receção inicial à minha proposta de dar aulas de Mindfulness aos alunos: “mas afinal Constança, o que é essa treta do Mindfulness? Sabe que os nossos alunos precisam é de fortes ferramentas analíticas”. Quando retorqui que Mindfulness é uma ferramenta analítica o riso descontraiu, num momento Mindful, o ambiente até então “tenso”.

Afinal, o que é (esta não-treta do) Mindfulness?

É o “milagre” da mudança de perceção que se oferece em cada instante em que estamos verdadeiramente presentes. Uma mudança de perceção do medo (de pessoas, como no caso do Teo, ou de desafios, ou do mercado, ou dos KPI, ou do “chefe”) e do passado (dos “falhanços”, dos erros) para a confiança (em mim e nos outros) e do presente (base para a construção de um futuro com êxito para mim, para a equipa e para a empresa). Uma mudança de perceção que permite “ressuscitar” em cada momento e passar de “gestor morto-vivo” a Líder Vivo. 

Mindfulness permite-nos ganhar maior consciência do funcionamento da nossa mente, de tal modo que podemos transformar-nos no “observador” presente das dinâmicas de pensamento em vez de funcionarmos em piloto-automático.

A prática de Mindfulness assenta na observação objetiva (atenção plena) do momento presente, da situação em que nos encontramos. Observamos objetivamente a situação tal como ela se apresenta; não como gostaríamos que fosse, mas sim tal como ela se apresenta. E ainda que seja durante um breve momento abstraímo-nos de julgar a situação.

Então, Mindfulness pode ser “definido” (inicialmente no Ocidente por Jon Kabat-Zinn, Professor Emérito de Medicina da Universidade de Massachusetts) como o ato de prestar atenção objetiva ao momento presente sem julgamento. As técnicas de foco na respiração ou nas sensações do corpo são simples de experimentar e permitem imediatamente alterar a perceção do momento presente, dando espaço a que surjam novas possibilidades criativas de resolução de problemas.

E quais são efeitos de praticar Mindfulness?

Os benefícios cientificamente reconhecidos da prática recorrente de Mindfulness são múltiplos: dos efeitos visíveis ao nível da melhoria da saúde (de tal maneira que, ilustrativamente, o NHS do Reino Unido abraçou a oferta de serviços de Mindfulness como forma de redução de custos com doença) aos efeitos mais subtis da perceção do aumento da sensação de bem-estar e da construção de relações interpessoais mais gratificantes. E como “a cereja no topo do bolo” aumentamos a nossa perceção de abundância de tempo: como afirma Mark Williams, autor do livro “Mindfulness: O plano de oito semanas que libertou milhões de pessoas do stress e da ansiedade”, “em breve descobrirá que embora se sinta pobre de tempo, você é na realidade rico em momentos”.

Parece milagre?

Se calhar é, experimente e decida por si!  Quer saber como? Respire… e aprenda a viver em Mindfulness.

Leia também "Derrubar muros"

Artigo publicado originalmente na revista Hipersuper

Tópicos: Artigos de Opinião, Liderança & Gestão de Pessoas

Constança Casquinho

Publicado por: Constança Casquinho

Com um percurso de 2 décadas em consultoria de gestão, já trabalhou em indústrias variadas, da Financeira e Seguros às Telecomunicações, Transportes e Retalho. Com um foco no desenho, desenvolvimento, implementação e facilitação de programas inovadores de formação e desenvolvimento para gestão média e de topo, já trabalhou também no desenvolvimento de propostas para instituições financeiras em países como a Polónia, República Checa, Eslováquia, Roménia e Azerbeijão.