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4 Recomendações para Melhorar a Performance Económica e Financeira da sua Empresa

10 de Janeiro de 2017 por Maria João Major

Já alguma vez se interrogou se a informação que recebe sobre os custos e a rentabilidade dos produtos e serviços que gere é correta? Descubra como melhorar a qualidade da informação dos sistemas de controlo de gestão da sua empresa e torná-la melhor sucedida.

Artigo de Maria João Major

stefan-stefancik-257625-unsplash-567204-editedunsplash-logoŠtefan Štefančík

A obtenção de informação distorcida é mais frequente do que provavelmente imagina. Por isso, quem tem de tomar decisões sobre os preços e mix de produtos e serviços a oferecer aos clientes é conduzido a escolhas que não são as mais corretas. 

Gostaria, ainda, de tornar os gestores da sua empresa mais empreendedores e melhorar a performance económica e financeira global dos seus negócios? 

Neste pequeno artigo, proponho-lhe quatro recomendações para melhorar a qualidade da informação dos Sistemas de Controlo de Gestão da sua empresa e tornar a sua empresa melhor sucedida.

 

Recomendação 1
Substituir os sistemas tradicionais de repartição dos custos indiretos por sistemas baseados numa lógica de "causa e efeito"

Ao longo das últimas duas décadas, o meio envolvente das organizações sofreu drásticas mudanças, conduzindo a que os custos de natureza indireta (os quais são comuns aos vários produtos e serviços produzidos) representem uma parte muito significativa da estrutura de custos. A acompanhar o aumento (exponencial em muitos casos) dos custos indiretos, verificou-se uma alteração do seu comportamento: não são os volumes de produção e vendas que causam os custos indiretos, mas sim a complexidade das atividades realizadas para a obtenção dos produtos e serviços. 
Neste contexto, torna-se crucial passar a distribuir os custos indiretos com base em critérios de repartição que meçam o grau de complexidade dos produtos e serviços, recorrendo a uma lógica de ‘causa e efeito’. A adoção de sistemas baseados em atividades (‘Activity-Based Costing’) é a melhor forma de garantir que os custos indiretos são adequadamente distribuídos pelos produtos e serviços da sua empresa.

 

Recomendação 2
Imputar aos produtos e serviços o custo financeiro dos ativos e passivos a estes associados

Os custos dos produtos e serviços não são, apenas, os custos diretos a estes associados e os custos indiretos que lhes foram imputados, mas também o custo financeiro de decisões relacionadas com investimentos em ativos económicos (clientes, inventários, fornecedores e ativos fixos tangíveis) relativos a esses produtos. Decisões relacionadas com a negociação dos prazos médios de recebimentos e de pagamentos, nível de inventários e ativos fixos tangíveis significam recursos que têm que ser financiados. Muito frequentemente, estes custos são ignorados quando se apura a rentabilidade dos produtos e se estabelecem os seus preços de venda, conduzindo, em última instância, a prejuízos para as empresas vendedoras e à obtenção de informação distorcida.

 

Recomendação 3
Estruturar a empresa em centros de responsabilidade e identificar critérios de avaliação da performance

A criação de centros de responsabilidade, entendidos como unidades descentralizadas, responsáveis pela prossecução de objetivos para os quais as suas atividades estão direcionadas, é um instrumento de grande relevância para assegurar que os vários gestores estão motivados em realizar os objetivos globais e estratégicos da empresa. 
Para que os centros de responsabilidade funcionem adequadamente é necessário que os gestores disponham de objetivos previamente estabelecidos e de poder de decisão sobre meios (os quais se traduzem em custos, proveitos e ativos e passivos) de forma a atingir os objetivos propostos. 
As realizações dos gestores devem ser avaliadas periodicamente, sendo fundamental que os critérios de avaliação de performance adotados reflita o tipo de centros de responsabilidade criados.

 

Recomendação 4
Valorizar os serviços prestados entre áreas da empresa com base em preços de transferência interna

Finalmente, para garantir a performance global da organização, devem ser valorizadas todas as transações de bens e serviços entre os vários centros de responsabilidade existentes, através da definição de preços de transferência interna (PTI’s). Os PTI’s são um dos mecanismos mais eficazes para melhorar a eficiência interna da empresa, sendo para tal fundamental que sejam calculados a partir dos preços de mercado. 
Quando adequadamente definidos, os PTI’s induzem os gestores a tomarem decisões que conduzem à realização da estratégia da empresa e à melhoria da sua performance económica e financeira.

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Tópicos: Finanças, Artigos de Opinião

Maria João Major

Publicado por: Maria João Major

Com um PhD em Accounting & Finance pela Universidade de Manchester (UK), Maria João Major é professora associada com agregação da Nova SBE, onde leciona Controlo de Gestão e Contabilidade de Gestão. Autora de livros e artigos científicos, tem acompanhado e estudado a implementação de processos avançados de controlo de gestão em organizações de vários setores – telecomunicações, saúde, administração pública e hotelaria.